| Venice by Miguel Amado O corpo de trabalho de Carlos Lobo, de que a série «Venice» é a mais recente expressão, iniciou-se com o grupo de fotografias conhecido como «Berlim». Tal como agora, foi sobre uma cidade que o fotógrafo se debruçou e, tal como agora, os resultados espelham um tratamento destas não como lugares específicos mas como realidades urbanas, tipos genéricos de um área geográfica e espiritual. Daí que as fotografias de Carlos Lobo resistam aos indícios físicos e psicológicos, nelas vislumbrando-se nada mais do que paisagens desertas, estruturas arquitectónicas desprovidas de presença humana ou com esta reduzida a apenas mais uma parte entre as restantes e interiores sem qualquer sinal de vida. O que caracteriza a linguagem de Carlos Lobo é uma espécie de olhar desinteressado, uma atitude distanciada do assunto abordado e um estilo alicerçado numa lógica de neutralidade. Da postura de Carlos Lobo desapareceu a narratividade e o seu vocabulário resiste à metáfora; trata-se aqui de precisão e de clareza no tratamento do que é observado, tornando o que é dado a observar num relato fidedigno, com a mesma objectividade que é conferida a uma declaração testemunhal. É como se o fotográfico, para Carlos Lobo, não fosse mais do que um modo de ver ancorado para além dos limites impostos por uma perspectiva individual, com a vertente de subjectividade que tal sempre acarreta e nem pretendesse ser mais do que isso. read more Berlim by Alberto Gomes Monumentos, edifícios, objectos, paisagens por vezes é a própria luz física que faculta o calor e a ternura que à memória falham, mesmo quando nos deparamos com edifícios/objectos que parecem projectar uma emergência espacial nascida de forças sociais e políticas que continuamente a modelaram; outras vezes entrevemos pelo calor da memória, essas florestas míticas donde sairiam cavaleiros negros e agora percorridas pelos joggers que também perscrutam o céu acima das árvores. Húmus vegetal que alicerça o húmus arquitectónico que Berlim foi engendrando, mesmo que seja uma lápide onde luz física e luz memória se obliteram numa só. Como repousa Berlim quando a história e a memória tanta vezes se ausentaram dela? Fotografar Berlim com o nosso olhar será uma actividade memorial? read more Venice by Luísa Soares de Oliveira As fotografias de Carlos Lobo, sobretudo esta sua série ‘Veneza’, tratam sistematicamente de lugares que guardam a memória do passado. Noutras séries, como as que tiveram por tema a cidade de Berlim e o liceu onde estudou, esse tipo de evocações era mais directo e imediato. No caso de ‘Veneza’, ela traduz-se na captação metódica de imagens que evidenciam a apropriação da arquitectura do passado para as finalidades que a contemporaneidade lhe atribui. Um museu que foi outrora palácio, e por isso lugar de habitação e ostentação da riqueza, não elimina totalmente os sinais da sua anterior função, mas relega-os para segundo plano, definindo percursos obrigatórios, lugares de passagem e de permanência, modelando até a luminosidade exterior ou seja, a natureza de forma a servir os seus objectivos. read more |
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